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A
bailarina brasileira, Bárbara Melo, 19 anos, aluna do Projeto
Dançando Para Não Dançar,
que há dez anos atua nos morros cariocas ensinando balé
clássico aos crianças e jovens, foi aprovada, ontem,
domingo, 20, na audição realizada pela companhia
de dança alemã, Cia. Volkstheater, da cidade de
Rostock, e será contratada como solista.
Bárbara
concorreu com mais de 100 bailarinas alemãs e estrangeiras.
No mês de abril, ela já estréia na montagem
de bela adormecida e em agosto, após concluir a especialização
na Staatliche Ballettschule Berlin, vai direto para o Volkstheater.
"O
diretor da Volkstheater, Wladimir Fediamin, foi a Berlin para
comunicar a audição para a companhia. Ele deixou
claro que queria meninas altas e bonitas. Mesmo não sendo
alta e tão pouco me acho bonita, fiz a inscrição
e fui para a cidade de Rostock, que fica a cinco horas de Berlim,
ao Norte da Alemanha. Fui sem esperança, mas tinha que
tentar. A audição foi individual. Soube ao final
que consegui", comunicou Bárbara a coordenadora
do Dançando, a bailarina Thereza Aguilar, por telefone,
antes de embarcar no trem de volta a Berlim.
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Dividimos
essa conquista da Bárbara com a Petrobrás Distribuidora,
nosso principal patrocinador e que mantém todo o projeto;
com a Vídeo Filmes, do cineasta Walter Sales (padrinho
do projeto), que apóia o projeto na permanência da
aluna na Alemanha; e com a Lufthansa, que apóia na concessão
de passagens.
A jovem bailarina é moradora do morro Pavão-Pavãozinho.
Apesar do balé clássico fazer parte do imaginário
de todas as meninas, ela nunca tinha feito aulas e nem assistido
a um espetáculo de dança.
Sua
família sempre lutou com dificuldades para manter os quatro
filhos (Bárbara e os três irmãos) estudando
e longe da criminalidade que ronda aquela comunidade. O pai é
cozinheiro de um restaurante, no bairro da Urca, zona sul do Rio,
e a mãe trabalha em casa de família.
Bárbara
tinha 10 anos, em 1995, quando soube, através da sua vizinha,
Francisca Soares, que o projeto Dançando para não
Dançar havia entrado na comunidade e estava com inscrições
abertas para selecionar meninos e meninas para as aulas de balé
clássico. Ela foi selecionada, junto com as duas meninas,
e desde então, passou a dividir os estudos regulares com
as aulas de dança no Ciep. Bárbara faz parte da
primeira turma do Dançando.
Em 1996, a coordenadora a inscreveu para a audição
pública na Escola de Dança Maria Olenowa, do Teatro
Municipal. Ela passou. Em 1997, o Dançando fez uma seleção
para levar seis crianças para um intercâmbio de 15
dias na Staatliche Ballettschule Berlin, na Alemanha, mesma escola
que a coordenadora do projeto se formou. A seleção
foi feita por uma banca constituída de bailarinos do Teatro
Municipal do Rio de Janeiro. Bárbara passou.
Em
1999/2000, Bárbara Melo e Francisca Soares foram para a
Staatliche Ballettschule Berlin fazer especialização.
Francisca voltou antes e está na faculdade se formando
em Dança na UniverCidade. E Bárbara conclui a especialização
no mês de agosto/2005. E, agora, vai, de lá, direto
para a Cia Volkstheater.
Em
família - A vida em família mudou após entrada
de Bárbara no projeto. A jovem tem pela frente uma promissora
carreira artística. A mãe incentivada pelo progresso
da filha e o apoio dado pelo Dançando para não dançar,
voltou a estudar. Concluiu o primeiro grau, fez o segundo e agora
vai tentar vestibular para fazer um curso superior. Os irmãos
estão estudando e trabalhando.
"A
vitória de Bárbara é exemplo para as duas
meninas do projeto Marcelle Monteiro e Paulicéia Borges,
que acabaram de desembarcar no país, para a mesma escola.
Exemplo para todos os alunos do Dançando para não
Dançar. Exemplo para sociedade, principalmente para os
jovens que vivem em situação de risco nas comunidades,
de que é possível buscar outros caminhos fora das
ruas, do tráfico, da criminalidade", afirma Thereza.
Dançando - O objetivo principal do Dançando
Para Não Dançar é dedicar-se à
integração social de crianças e adolescentes
que vivem em situação de risco nas favelas, utilizando
o perfil lúdico do balé clássico como instrumento
de inserção social. O projeto atende hoje 450 crianças
de 11 comunidades. Visa proporcionar a perspectiva profissional
e a possibilidade de um futuro melhor, longe dos perigos que rondam
o dia-a-dia das áreas atendidas, uma realidade marcada
pela violência causada, principalmente, pela ação
do tráfico de drogas.
O
projeto, por meio de suas ações, tem propiciado
aos jovens carentes, alguns talentosos ou com o mínimo
de aptidão, uma política de acesso ao conhecimento
e a uma profissão que, no máximo, poderia surgir
em suas vidas como sonho: a dança clássica. Acesso
a um mercado de trabalho que historicamente vem sendo ocupado
por quem pertence às classes com maior poder aquisitivo.
Conseguiu
integrar um grupo de 85 crianças, das favelas onde atuamos,
na escola de dança Maria Olenowa, do Theatro Municipal
do Rio de Janeiro. Já encaminhou ao todo seis alunas para
o curso de balé clássico, em uma reconhecida escola
de balé da Alemanha, Staatliche Ballettschule Berlin und
Schule für Artistik. Ainda, duas outras alunas para o Ballet
Nacional de Cuba.
Brasília,
21/02/05
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