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Petrobras apresenta: "Gabriela: ritmos amados"

"Gabriela: ritmos amados" nasce da necessidade de mudar, de fazer algo novo, de experimentar. Com esse enfoque, o Dançando para não dançar dá um passo ousado e, a partir da obra de Jorge Amado, apresenta um espetáculo de balé com uma opção estética que funde ritmos e linguagens coreográficas clássicas, contemporâneas e populares. São mais de 350 crianças, das 11 comunidades atendidas pelo projeto, se revezando no palco do Teatro João Caetano, no Centro, dias 16 e 17 de dezembro.

A estréia, no sábado (16/12), será às 16h. No domingo (17/12), o espetáculo começa mais cedo, às 11 horas. A entrada é gratuita.

A criação - A concepção do trabalho é da bailarina e coordenadora do "Dançando...", Thereza Aguilar, e do primeiro bailarino do Teatro Municipal e professor do projeto, Paulo Rodrigues. Thereza explica que a idéia ao compor cada passo e as seqüências de movimentos e gestos foi fazer um passeio pela diversidade cultural brasileira. Inspirados em "Gabriela cravo e canela", foi feito uma adaptação para o balé tornando a história mais leve para atingir ao público infantil e mais próximo da realidade dos jovens de comunidades populares, que enfrentam todos os tipos de preconceitos no seu dia-dia.

"Buscamos considerar o contexto das comunidades, a vontade e a luta dessas meninas e meninos de crescerem, se desenvolverem, progredirem. A luta diária delas contra os preconceitos, sejam eles social, racial ou econômico. Passar o conceito de que vale a pena amar e sonhar sempre. Por isso, decidimos que todas as meninas seriam "Gabrielas". Não haveria uma, mas várias", informa.

Segundo a coordenadora, a equipe toda trabalhou com bastante empenho, pesquisando e estudando. Ela destaca a participação das jovens Francisca Soares e Paulicéia Borges, alunas e monitoras do projeto, que assinam junto às coreografias. "Elas criaram junto com os professores. Pra mim é gratificante ver como as meninas responderam bem a proposta de mudança e encamparam uma linguagem diferente com tranqüilidade".

Paulo Rodrigues, que assina a direção artística, ressalta que a leveza e o lirismo da dança clássica permeiam todo o espetáculo. "Foi um desafio para todos. Convidamos profissionais da UFRJ para falarem sobre as danças folclóricas brasileiras e isso nos deu uma visão mais ampla. Tanto aprendemos como criamos", diz. Exemplos desse processo de criação podem ser aferidos no samba de roda - em que foi acrescentado um cesto no figurino, numa alusão às mulheres que lavam as escadarias da igreja - e na coreografia do professor de contemporâneo, Marcelo Lopes, em que as bailarinas com luvas coloridas, representando o artesanato nordestino e suas bordadeiras, ao se juntarem, formam uma colcha de retalhos. "A brasilidade é explorada, é sentida nesse trabalho tanto na trilha sonora como na construção dos movimentos", afirma Rodrigues.

A Trilha - Mas a inovação não pára aí. A trilha sonora, composta por Leandro Braga, arranjador e pianista, especialmente para a o espetáculo, faz a fusão entre a música eletrônica e a orquestra, formada por 10 músicos que tocarão ao vivo.

As músicas foram criadas através da utilização do programa de computador Logic pro, feito no machintoch quad. "O que existe nos espetáculos de balé hoje é a música eletrônica ou a orquestra. Os dois juntos, que eu saiba, é a primeira vez", afirma o compositor.

São 20 músicas que misturam vários ritmos que vão da peça sinfônica (erudita) aos ritmos brasileiros diversos, incluindo recursos do hip hop no fim do espetáculo. Para compor as peças, Braga levou em consideração a estrutura do balé clássico - abertura, os primeiros e segundos atos, o desenvolvimento da história com os vilões, o pás de deux e a apoteose final. "Essa é a primeira vez que faço trilha para um balé completo. E confesso que era o meu desejo. Trabalhei antes com pequenas peças e já fiz trilha para cinema, mas um balé inteiro é a primeira vez. Acompanhando agora o resultado fiquei emocionado e feliz de ver como tudo se encaixou perfeitamente".

Entram no palco crianças de 06 a 19 anos - do baby a aluno já profissional que iniciou e se formou na dança por meio do projeto, em 1995. "Dança não é o que elas fazem, é o que elas são", ressalta Thereza ao refletir sobre os 11 anos de trabalho frente ao projeto. "Hoje fico imensamente satisfeita ao ver a proliferação de projetos que têm a dança clássica como instrumento de inclusão social. Começamos com 40 crianças e hoje somos uma grande família, a Família Dançando, com 450 crianças, mães e familiares, a nossa equipe de profissionais, o nosso patrocinador, a Petrobras Distribuidora, apoiadores e amigos do Dançando".

Além da Petrobras, o projeto conta com o apoio do ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, do BNDES, da Faperj e da Vídeo Filmes. Das Associações de Moradores das comunidades atendidas, em especial a Vila Olímpica da Mangueira. Da Lufthansa, do Instituto Desiderata, do Curso Dalto. Do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e do Teatro Leblon. Da Valorização Empresa de Café S/A. E sem esquecer dos parceiros no exterior, a Staatliche Ballettschule Berlin, escola de dança alemã; e o Balé Nacional de Cuba, que estão sempre de portas abertas para receber os alunos do projeto para estágio e especialização.

Ficha técnica
Direção Geral: Thereza Aguilar
Direção Artística: Paulo Rodrigues
Direção Musical e composição: Leandro Braga
Coreógrafos: Thereza Aguilar, Paulo Rodrigues, Marcelo Lopes, Paulicéia Borges e Francisca Soares.
Cenografia: Liane Santos
Figurino: Marilda Fontes
Luz: Felício Mafra (Russinho)
Técnicos de som: Sérgio Miller e Alexandre Freitas
Assessoria de Imprensa: Tânia Aguilar e Vivian

Músicos:
Leandro Braga (piano); Silvia Braga (harpa); Guilherme Lopes (teclado) ;Humberto Mirabelli (guitarra)
Jamil Joanes (contrabaixo); Humberto Araújo (sax e flauta); Nelson Oliveira (trompete);
Sérgio de Jesus (trombone); Jorge Gomes (bateria) ; Zero (percussão).

Gabriela: ritmos amados
Sinopse

Primeiro Ato - A história se passa em Ilhéus - Ba, nos anos 20. O sol da manhã convida as crianças para mais um dia de brincadeiras e travessuras. Mulheres quebradeiras de coco e artesãs saem para cumprir as atividades. A rotina da cidade espera os acontecimentos passarem.

Gabriela, uma bela moça que chegou àquela vila fugida da seca, encontra-se com suas amigas, próximo à igreja matriz da cidade. Gabriela era despojada e alegre. Adorava as brincadeiras de criança e dançar. Chamava a atenção de toda vila por sua sensualidade.

Nacib, um rico comerciante, se encanta com a moça no momento em que a vê. As amigas, com ciúmes, não aceitam o namoro. O grupo teme perder a amiga faz com que surjam os vilões que questionam a relação entre pessoas de classes sociais diferentes. Ele embebido pelo fascínio e perdidamente apaixonado dança com Gabriela e a pede em casamento. O grupo de amigas interrompe a cena de amor. A cidade se divide. O preconceito impera: ele rico, ela pobre. Mas o amor prevalece. Iniciam-se os preparativos para o casamento. A pequena vila festeja com uma grande valsa.

Segundo ato - Toda a cidade se mobiliza para o grande acontecimento. Moradores fazem a tradicional lavagem da igreja com perfumarias. Na cidade onde reinava a tranqüilidade, hoje tudo é festa. A celebração do casamento se dá a partir da união de diferentes ritmos populares festivos: Samba de roda, Umbigada Xaxado, Afoxé, Rasta Pé, Jongo e Samba.

Gabriela e Nacib, irradiando felicidade, dançam. Como num sonho, Gabriela relembra a infância até conhecer Nacib. Todas as personagens passam a compor a grande festa.

O amor vence o preconceito.



Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Nº 02 / 226 / 421