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JOVENS BAILARINOS DE COMUNIDADES CARENTES SE APRESENTAM PARA PÚBLICO UNIVERSITÁRIO DA UFRJ
Zilda Martins - Assessoria de Imprensa da UFRJ

O que antes só era possível se ver nos salões dourados das classes dominantes da sociedade, hoje, após ocupar espaços improvisados em escolas de comunidades carentes do Rio, e de muita ousadia, jovens bailarinos provam que a arte é o principal meio de transformação social. Com muita graça e determinação, os bailarinos se apresentaram na última sexta-feira, 26 de agosto, no Salão Dourado do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ. Eles fazem parte do projeto Dançando Para Não Dançar, que há dez anos vem lutando para superar barreiras étnico-sociais da história do balé clássico e contribuir para mudar a tradição cultural.

A apresentação do balé Paquita, de Marius Petipa e direção de Thereza Aguilar, aconteceu às 11h30 e conseguiu superar a ansiedade dos produtores culturais do Forum ao lotar as cadeiras do Salão Dourado com estudantes, funcionários da universidade e público externo. Por causa da greve dos trabalhadores em educação, os organizadores do projeto Cultura Popular do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ temiam pela apresentação, chegando, inclusive a propor o cancelamento ou adiamento da peça. Vencido o medo, a apresentação foi um sucesso.

Foto: Erenaldo Carneiro - FCC/UFRJ

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Dançando Para Não Dançar é um projeto social que atua há dez anos no Rio de Janeiro e já atende a 11 comunidades, com aulas de balé para crianças e adolescentes. O critério de escolha é a habilidade para a dança e que a criança esteja regulamente matriculada e freqüentando aulas nas escolas de ensino formal. A partir do momento que elas entram no balé passam a ter acompanhamento sistemático com assistentes sociais, médicos, dentistas, psicólogos e nutricionistas. Esse atendimento é extensivo às famílias que, desde o ano passado começaram a receber apoio para voltar à sala de aula, concluir o ensino fundamental e médio e, ainda, ter a chance de ingressar no mercado de trabalho.

A idealizadora e coordenadora do projeto é a bailarina Thereza Aguilar, que trouxe a idéia de Cuba, após três anos de estudos naquele país. Ela conta que começou a dar aula sozinha para um grupo de 45 crianças da favela do Cantagalo. Aos poucos, foi conseguindo apoios e patrocínios e hoje, tem uma equipe de profissionais qualificados. Ela informa, ainda, que desde 1995 vem colocando crianças na escola de Dança Maria Olenewa, do Teatro Municipal, cuja seleção é bastante rigorosa. Thereza se emociona a cada nova conquista, como por exemplo, ver alunos do projeto serem escolhidos para aperfeiçoamento na mais tradicional escola de dança da Alemanha, a Staatliche Ballettschule de Berlin. Até o final do ano, duas jovens viajam para aquele país.

Bárbara Melo, aluna do projeto, é uma das alunas que conseguiu mudar a própria história. Moradora do Cantagalo, concluiu o curso de balé na Alemanha e hoje é primeira bailariana da Cia. Volkstheater, Rostock, na Alemanha. Mas, segundo Thereza, o objetivo principal do projeto não é formar profissionais da dança, mas sim formar cidadãos, conscientes e capazes de interagir no mundo da vida de forma digna. As comunidades atendidas são Rocinha, Cantagalo, Pavão/Pavãozinho, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia, Salgueiro, Santa Marta, Jacarezinho, Tuiuti, e Vila Isabel. Ao todo, são 450 alunos que optaram pela arte e ajudam a construir uma nova cara para as favelas do Rio.

BAILARINOS DE PROJETO SOCIAL DANÇAM NA UFRJ
A Companhia Dançando Para Não Dançar apresenta o balé Paquita, de Marius Petipa, dia 26 de agosto, às 11h30, na UFRJ, Salão Dourado.

Formada exclusivamente por jovens bailarinos do projeto Dançando Para Não Dançar, que atua há dez anos em onze comunidades carentes do Rio de Janeiro, a companhia de dança já se apresentou em diversos locais públicos da cidade, teatros e em outras capitais.

O evento faz parte das atividades do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, criado em 2003 com a perspectiva de abrir à comunidade as portas da universidade e estabelecer diferentes meios de comunicação entre a academia e a sociedade civil. O Fórum é um espaço aberto ao público em geral e oferece, de graça, atividades que contemplam diferentes tendências culturais e científicas.

Dançando - Há dez anos, o Dançando Para Não Dançar se dedica à integração social de crianças e adolescente. Idealizado e montado pela professora Thereza Aguilar, o projeto iniciou as atividades em 1994/95, atendendo 45 crianças nas comunidades do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho. E de lá para cá não parou de crescer.

SERVIÇO:
Cia Dançando Para Não Dançar - Ballet Paquita
Data: 26 de agosto de 2005
Horário: das 11h30 às 13 horas
Local: Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ
Endereço: Av. Pasteur, 250 - 2º andar

FICHA TÉCNICA :
Coordenadora: Thereza Aguilar
Diretor Artístico: Paulo Rodrigues
Produtor: Luiz Moraes

BAILARINOS:
Daine Batista
Fernanda Duarte dos Santos
Francisca Soares
Ingrid dos Santos da Silva
Janaína Abreu oliveira
Luana Braga Amorin
Marcelle Monteiro
Paulicéia Borges
Rômulo Silva
Vanessa Duarte

O encanto do balé clássico invadiu e conquistou as comunidades participantes e hoje o projeto atende 450 jovens nos morros do Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia, Morro dos Macacos, Tuiuti, Jacarezinho, Salgueiro e Dona Marta. Essa expansão foi possível graças ao patrocínio da Petrobrás Distribuidora, que assumiu o custeio crescente desde 1997.

O projeto utiliza o perfil lúdico do balé clássico como instrumento de inclusão social e de cidadania ao proporcionar a esses jovens a possibilidade de se formar numa profissão que dificilmente teriam acesso. Além das aulas de dança, as crianças têm aulas de teoria e prática musicais e de língua espanhola. Oferece, ainda, assistência médica, orto-dentária e acompanhamento com psicóloga, assistente social e fonoaudióloga às crianças e familiares.

A Cia Dançando Para Não Dançar foi criada em entre 2003/2004. Nesta ocasião, a coordenadora adaptou trechos de grandes balés, como Paquita, Coppélia, e com as alunas mais experientes criou o embrião da Companhia.

Apresentou-se no Teatro Municipal, João Caetano e Carlos Gomes, Sesc Tijuca, Teatro do Jockey. Em escolas e universidades: UFRJ, UERJ, UniverCidade. No Centro de Atendimento Integrado (Caic) em Belfort Roxo e em Baugu. Nas comemorações do ao aniversário do Cristo Redentor. Nas campanhas da Fiocruz contra a Poliomelite. No Seminário de Nacional da Full Bright. No Rio Centro, durante o evento "Intercontinental Espetáculo Itaú e Unicef". No Festival Internacional de Dança de Brasília e no XXI Festival Nacional de Dança, na UERJ, a convite de Conselho Brasileiro de Dança - C.B.D.D. Ainda em diferentes locais públicos - Praia de Ipanema, Praia do Flamengo, Praia do Arpoador e Piscinão de Ramos. Carioca, Cinelândia, Central do Brasil, entre outros. No exterior, na Escola de balé, em Berlim, Alemanhã.

Paquita - O balé Paquita, produzido por Marius Petipa, se passa na Espanha, durante a ocupação de Napoleão, na Espanha. Conta a estória de uma cigana que salva a vida de um oficial francês, que por ela se apaixona. É constituído em dois atos e três cenas com música de Minkus. Estreou em 1847, em S. Petersburgo.

Nesta apresentação, Paquita foi adaptado especialmente para as jovens bailarinas do projeto Dançando Para Não Dançar.

Apoios - O Dançando tem como patrocinador a Petrobras Distribuidora e conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Lei Rouanet; da FAPERJ, do BNDES, da Vila Olímpica da Mangueira; da Lufthansa e da VídeoFilmes. Além dos convênios mantidos com a Staatliche Ballettschule Berlin e Balé Nacional de Cuba.



Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Nº 02 / 226 / 421